Fernanda Nunes teve sua primeira filha com 33 anos e não parou de
trabalhar, mas com a chegada da segunda, dois anos depois, ela achou que
era preciso dar um tempo na carreira em uma empresa de telecomunicações
para se dedicar exclusivamente à maternidade. “Trabalhava com marketing
e não tinha como prever a minha rotina. Essa inconstância não era
compatível com a necessidade de cuidar de duas crianças pequenas”.
Fernanda
ficou três anos em casa para cuidar das filhas e trocou a área de
telecomunicações por uma nova carreira no setor de tradução (Foto:
Pâmela Kometani/G1)
Alguns anos se passaram, as meninas cresceram, começaram a frequentar
escola e balé, entre outras atividades, e aos poucos a mãe foi
percebendo que era hora de também voltar a se preocupar consigo e com
sua vida profissional. Voltar a trabalhar e se recolocar no mercado,
após três anos dedicados às filhas, foi um grande desafio para ela.
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Veja dicas para voltar ao mercado de trabalho |
CapacitaçãoCursos, palestras e workshops são boas opções para renovar os conhecimentos e manter contato com profissionais do setor
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AtualizaçãoAlém de cursos, as profissionais também devem saber o que está acontecendo em sua área para não renovar sua visão de negócio
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Networking
Profissionais que pretendem voltar para a mesma área ou para a
mesma empresa devem manter contato com antigos colegas de trabalho. Isso
pode facilitar a volta ao mercado
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Mudança de área
As profissionais que optarem por mudar de área devem se preparar
como fizeram no início da carreira. Quem vai abrir o próprio negócio
também precisa estudar o mercado para não perder dinheiro
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Freelancer
Uma boa opção para as mães que ainda não dispõem de muito tempo
para se dedicar ao trabalho é retornar ao mercado fazendo trabalhos
isolados. Dessa forma, as empresas sabem que você está de volta e o
leque de atuação aumenta
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Fontes: Alexia Franco, diretora da Hays, e Andreza Santana, gerente de marketing sênior do Monster Brasil |
“Curti muito a gravidez, fiquei encantada com o barrigão, mas sentia
que não estava cumprindo todos os meus deveres sem trabalhar. A
realização na carreira também faz parte da felicidade”, conta Fernanda,
hoje com 43 anos.
Formada em administração de empresas e com pós-graduação na área, ela
resolveu buscar um novo setor em que tivesse uma rotina mais regrada e
tempo para se dedicar a família. Ela fez uma graduação tecnológica em
tradução e intérprete e voltou aos poucos, trabalhando de casa em
projetos de tradução e dando aulas de inglês.
Mas, em 2009, Fernanda teve a confirmação de que tinha um câncer de
mama e teria que fazer uma mastectomia total e reconstruir as mamas. Ela
resolveu investir de vez na retomada de sua carreira. “Foi um choque
porque você percebe que não é totalmente dono da sua vida. Isso me deu
ainda mais vontade de renovar tudo e de recomeçar”, diz.
Agora, Fernanda diz que se dedica mais ao trabalho desde que virou
sócia de um escritório de trabalhos em tradução e intérprete, no ano
passado. “Acho que o mais importante é trabalhar sem culpa, porque senão
essa volta pode ser prejudicial. Estou aprendendo a ser uma
profissional liberal e a estruturar as tarefas dentro de casa.”
Marilivia (ao fundo) e a filha, Carolina, de 28 anos
(Foto: Arquivo pessoal)Carreira em vendas
Com três filhos, Marilivia Lanera, de 50 anos, também teve que se
afastar do trabalho para cuidar da família. “Que maluca eu ia achar para
tomar conta dos meus bebês e da minha filha comigo trabalhando fora?
Acabei ficando em casa até os meninos completarem seis anos e começarem a
ir para a escolinha. Foi uma fase que não teve pesar nenhum pra mim,
era meu momento para parar e ser mãe”, fala. Hoje, Carolina tem 28 anos e
os gêmeos, Bruno e Guilherme, têm 24 anos.
Marilivia voltou a trabalhar em uma boutique de roupas que atendia com
hora marcada, assim ela conseguia atender as clientes somente no horário
em que as crianças estavam na escola. “Acho que a grande receita para
voltar a trabalhar é fazer o que você gosta. Resolvi arregaçar as mangas
e voltar para o trabalho com carinho e paixão”.
Depois, a família se mudou para Itapevi, na Grande São Paulo, quando
seu marido foi promovido e ela saiu da empresa. “A gerência não deu
certo e procurei uma prima que conseguiu um emprego para mim como
vendedora em uma loja de moda feminina em um shopping. Eu vinha todos os
dias para São Paulo. Tive que fazer isso por quase um ano”, conta.
Com cinco anos de casa e na gerência de duas lojas, ela recebeu uma
proposta para mudar de emprego. “Resolvi aceitar o desafio e estou na
empresa há 12 anos”.
Hoje, ela é gerente de uma loja de roupas e depois de fazer a faculdade
de marketing, já planeja sua pós-graduação em branding. “Nunca tinha
trabalhado com vendas, mas eu realmente agarrei a oportunidade. O que
você não pode fazer é parar no tempo”, ressalta Marilivia.
De motorista ao setor de importação
Quando decidiu ser mãe, Claudete Sécolo, de 38 anos, resolveu se
dedicar totalmente ao seu filho, que hoje tem 16 anos. “Só voltei a
trabalhar quando ele tinha 1 ano e meio. Curti aquele momento, mas não
ia conseguir ficar em casa. Muitas mães decidem ser apenas mães, mas não
queria isso para mim. Pensava em dar qualidade de vida para o meu
filho, uma boa educação e isso não é possível com apenas uma pessoa
trabalhando”, ressalta.
Claudete buscou realização profissional (Foto: Arquivo pessoal)
Claudete voltou ao mercado de trabalho como motorista de micro-ônibus
de transporte coletivo, em Santo André, na Grande São Paulo. Depois, seu
irmão comprou uma perua escolar e ela assumiu a direção.
Em 2005, ela recebeu uma proposta para trabalhar no departamento
financeiro de uma empresa de acessórios para cabos de aço, onde está até
hoje. Para não perder tempo, ela fez uma faculdade de gestão financeira
e foi aprimorar seu inglês. Com os bons resultados, Claudete foi
convidada para o setor de importação e agora é responsável pela relação
comercial entre a empresa e o exportador.
“Fui indo aos poucos, me preparei e abracei as oportunidades. Queria me
sentir uma profissional realizada e eu tenho conseguido isso. O filho
não me impediu, basta querer e sair da zona de conforto”, diz Claudete.
Volta ao trabalho
“É preciso saber usar o tempo a seu favor para enriquecer o currículo.
Estudar é sempre válido e nada melhor do que utilizar o tempo para se
atualizar sobre o que tem acontecido no mercado e fazer cursos de
atualização ou especialização, que podem contribuir para o
desenvolvimento da carreira”, afirma Alexia Franco, diretora da Hays,
grupo global de recrutamento especializado.
Para Andreza Santana, gerente de marketing sênior do Monster Brasil, a
mulher deve programar o seu retorno. "Mesmo que não tenha um tempo
pré-determinado de afastamento, essa profissional deve planejar como
será o período de ausência e manter-se atualizada".
Atualização e capacitação são imprescindíveis para a profissional que
está planejando seu retorno ao mercado de trabalho. A preparação para o
retorno ao mercado deve ser proporcional ao tempo em que a mulher ficou
parada. “Quanto mais tempo se passa, mais essa profissional precisa
provar que está atualizada e que não perdeu o ritmo que mercado exige
para a entrega de resultados”, diz Alexia.
Fonte:
Pâmela Kometani
Do G1, em São Paulo