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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Mais informações sobre os índios Guarani Kaiowá.

A matéria está na íntegra. Quem quiser pode acompanhar no site www.pragmatismopolitico.com.br

Angélica Rangel

 

Gilmar Mendes é responsável pela tragédia dos índios Guarani Kaiowá

Postado em: 25 out 2012 às 21:02

O então presidente do STF, em dezembro de 2009, deferiu liminar suspendendo decreto presidencial que declarava a área de posse dos indígenas, que tentam retomar parte de seu território e vivem sob ameaça de fazendeiros da região

Desde meados de julho, indígenas da etnia Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul (MS) no Centro-Oeste brasileiro tentam retomar parte do território sagrado “tekoha”, em Guarani, no Arroio Koral, localizado no município de Paranhos.
A terra está em litígio e, em dezembro de 2009, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto homologando a demarcação da terra, porém a eficácia do decreto foi suspensa logo em seguida pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, em favor das fazendas Polegar, São Judas Tadeu, Porto Domingos e Potreiro-Corá.

gilmar mendes índios guarani kaiowá
Gilmar Mendes e a tragédia dos Guarani Kaiowá: ministro do STF vetou, à época em que presidia a Suprema Corte, decreto de Lula que decretava posse aos indígenas. (Foto: reprodução)

Em 29 de setembro, a Justiça Federal de Naviraí em Mato Grosso do Sul decidiu pela expulsão definitiva da comunidade Guarani-Kaiowá e, diante da decisão, os indígenas lançaram uma carta afirmando a intenção de morrer juntos, lutando pelas terras e fazem o pedido para que todos sejam enterrados no território pleiteado.

O assunto veio à tona, depois desta “carta-testamento”, que foi interpretada como suicídio coletivo, os Guarani Kaiowá falam em morte coletiva no contexto da luta pela terra, ou seja, se a Justiça e os pistoleiros contratados pelos fazendeiros insistirem em tirá-los de suas terras tradicionais, estão dispostos a morrerem todos nela, sem jamais abandoná-las, de acordo com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) em nota divulgada nesta quarta (23).

Entenda – Cansados da morosidade da Justiça em agosto último, cerca de 400 indígenas decidiram montar acampamento para pleitear uma resolução. Horas depois, pistoleiros invadiram o local. Houve conflito, que resultou em indígenas feridos, sem gravidade e, com a chegada da Força Nacional, os pistoleiros se dispersaram e fugiram.

À época, o Guarani Kaiowá Dionísio Gonçalves afirmou que os indígenas estão firmes na decisão de permanecer no tekoha Arroio Koral, mesmo cientes das adversidades que terão de enfrentar, já que o território sagrado reivindicado por eles fica no meio de uma fazenda. “Nós estamos decididos a não sair mais, nós resolvemos permanecer e vamos permanecer. Podem vir com tratores, nós não vamos sair. A terra é nossa, até o Supremo Tribunal Federal já reconheceu. Se não permitirem que a gente fique é melhor mandarem caixão e cruz, pois nós vamos ficar aqui”, assegurou.

Conflito fundiário – A batalha pela retomada de terras indígenas se arrasta no Mato Grosso do Sul e o estado é responsável pelos mais altos índices de assassinatos de indígenas, que lutam pela devolução de terras tradicionais e sagradas. Já foram registrados muitos ataques, ordenados por fazendeiros insatisfeitos com a devolução das terras aos seus verdadeiros donos.

O processo continua em andamento, mas tem caminhado a passos muito lentos, já que ainda não foi votado por todos os ministros. Assim, os Guarani Kaiowá decidiram fazer a retomada da terra. Na última sexta (19) um grupo esteve em Brasília e fincou cinco mil cruzes na Esplanada dos Ministérios, em protesto e pedindo que a Justiça resolva a pendenga.

Leia a nota do CIMI:
23/10/2012
do Cimi
O Cimi entende que na carta dos indígenas Kaiowá e Guarani de Pyelito Kue, MS, não há menção alguma sobre suposto suicídio coletivo, tão difundido e comentado pela imprensa e nas redes sociais. Leiam com atenção o documento: os Kaiowá e Guarani falam em morte coletiva (o que é diferente de suicídio coletivo) no contexto da luta pela terra, ou seja, se a Justiça e os pistoleiros contratados pelos fazendeiros insistirem em tirá-los de suas terras tradicionais, estão dispostos a morrerem todos nela, sem jamais abandoná-las. Vivos não sairão do chão dos antepassados. Não se trata de suicídio coletivo! Leiam a carta, está tudo lá. É preciso desencorajar a reprodução de tais mentiras, como o que já se espalha por aí com fotos de índios enforcados e etc. Não precisamos expor de forma irresponsável um tema que muito impacta a vida dos Guarani Kaiowá.

O suicídio entre os Kaiowá e Guarani já ocorrem há tempos e acomete sobretudo os jovens. Entre 2003 e 2010 foram 555 suicídios entre os Kaiowá e Guarani motivados por situações de confinamento, falta de perspectiva, violência aguda e variada, afastamento das terras tradicionais e vida em acampamentos às margens de estradas. Nenhum dos referidos suicídios ocorreu em massa, de maneira coletiva, organizada e anunciada.

Desde 1991, apenas oito terras indígenas foram homologadas para esses indígenas que compõem o segundo maior povo do país, com 43 mil indivíduos que vivem em terras diminutas. O Cimi acredita que tais números é que precisam de tamanha repercussão, não informações inverídicas que nada contribuem com a árdua e dolorosa luta desse povo resistente e abnegado pela Terra Sem Males.

Conselho Indigenista Missionário, 23 de outubro de 2012

Leia a carta dos indígenas na íntegra:
Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil
Nós (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de da ordem de despacho expressado pela Justiça Federal de Naviraí-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Recebemos a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal, de Naviraí-MS.
Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.
Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados.
Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui.
Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.
Sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo em ritmo acelerado. Sabemos que seremos expulsos daqui da margem do rio pela Justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.
Atenciosamente, Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay

Daniela Novaes, Câmara em Pauta

Fonte: www.pragmatismopolitico.com.br

 

Conheça a história de Santa Cruz, no aniversário de 455 anos - Portal TK1

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domingo, 29 de julho de 2012

Praia acessível a todos, o ano inteiro


Pude ver de perto esse tipo de projeto quando estive no Rio de Janeiro no início desse ano, na Praia do Leme, e agora também aqui no ES. Nossa é emocionante ver e perceber o quanto uma coisa que para nós é tão simples se torna tão especial para pessoas com deficiências. 


Projeto que garante acesso ao mar para cadeirantes também funciona no inverno

28/07/2012 - 17h43 - Atualizado em 28/07/2012 - 17h43
A Gazeta

    Rafael Braz

Para boa parte da população das cidades litorâneas, a praia é, talvez, a mais democrática e acessível forma de diversão. Para uma minoria, no entanto, ela é território inacessível. Não é fácil chegar ao local – principalmente ao mar – para quem tem dificuldades de locomoção.

Para ajudar essa minoria, desde o início do ano a região da Praia da Costa, perto do Clube Libanês, em Vila Velha, é realizado o projeto Praia Legal.
foto: Nestor Müller
Luciane Mozini, Deficiente Físico usando o serviço, Projeto Praia Legal, na Praia da Costa - Foto: Nestor Müller
Da Barra do Jucu para a Praia da Costa
Aos 38 anos, Luciane Mozine nunca tinha ido à praia, mas  hoje  o banho de mar se tornou quase diário. “Antes, a praia era só uma coisa para eu ver e achar bonito, mas agora eu posso até nadar no mar”, diz Luciane Mozine, 38, que tem deficiência física desde os 2 anos de idade

Com guarda-vidas e profissionais de Educação Física e Fisioterapia dedicados, o projeto garante acessibilidade às pessoas com deficiência, para que elas possam desfrutar da praia. Fora do verão, o Praia Legal funciona de sexta a domingo, das 8 às 17h, mas na alta temporada ele funciona diariamente.

"Criamos o projeto para o verão, mas os pedidos foram tantos que decidimos mantê-lo no resto do ano", explica Ledir Porto, secretário de Defesa Social de Vila Velha.

EstruturaToda região da praia foi adaptada para facilitar o acesso. Deficientes físicos ganharam vagas dedicadas, rampas de acesso e um ponto do programa de transporte Mão na Roda. É através dele que Geraldo Ricardo tem saído de Cariacica para pegar praia em Vila Velha.

O jovem Daniel Louzada frequenta o local com a mãe, mas afirma que, antes, era muito difícil ir à praia. "Aqui eu também converso com as pessoas e sou bem tratado. É uma grande ajuda para gente como eu", afirma. 
foto: Nestor Müller
Guilherme Barbosa, Deficiente Físico usando o serviço, Projeto Praia Legal, na Praia da Costa - Foto: Nestor Müller
Tão longe, tão perto
Morador da Praia da Costa, Guilherme Barbosa diz que, até o projeto, via a praia pela janela de casa. “Não tomava um banho de mar havia dez anos. Isso melhorou minha qualidade de vida”, comemora Guilherme Barbosa, 52, que utiliza cadeira de rodas há 4 anos devido a problema de locomoção

Fonte: Gazeta Online

sábado, 21 de julho de 2012

Fazendo história: surfista capixaba Derek Rabello divide onda com a lenda Kelly Slater


21/07/2012 - 15h18 - Atualizado em 21/07/2012 - 15h18

Deficiente visual, Derek teve a oportunidade de surfar com o campeão mundial por 11 vezes nas ondas da Califórnia

GAZETAESPORTES.COM

Não há barreiras para o capixaba Derek Rabello. Após assombrar o mundo ao encarar as ondas da temida Pipeline, no Havaí, o surfista deficiente visual teve sua recompensa nesta semana. E realizou o sonho de nove entre dez surfistas do mundo. Além de dropar as ondas da Califórnia, Derek teve um companheiro de luxo ao seu lado. Ninguém menos que o 11 vezes campeão mundial de surfe, o americano Kelly Slater.
foto: Glaser
Kelly Slater e Derek Rabello
Kelly Slater e Derek Rabello nos trilhos até a praia
O encontro aconteceu na Praia de Lowers. Com a praia cheia, Derek e Slater chegaram juntos, abraçados, e chamaram a atenção de todos os surfistas, já que o capixaba chegou amparado pela sua bengala ao longo dos trilhos que levavam ao pico. Derek, que nasceu sem a visão, parecia especialmente feliz ao lado de Slater, que por sua vez, estava encantado com o capixaba.
Conversaram sobre o equipamento, quando Slater fez uma pergunta ao capixaba. "Como você consegue ter os sentidos tão aguçados na água, e como consegue navegar sozinho, com as ondas vindo até você?", indagou o americano. Derek respondeu surfando. Lado a lado com Slater, e com vários espectadores na praia, eles logo pegaram a primeira onda, uma esquerda linda e sólida, ao lado do campeão mundial. Outras ondas vieram, sempre ao lado do ídolo, para a felicidade de Derek.
foto: Glaser
Kelly Slater e Derek Rabello
Kelly Slater e Derek Rabello dividem a mesma onda
"Que momento especial. Estou muito feliz de realizar mais esse sonho de estar ao lado do Slater. Ele é um ídolo e um exemplo para mim", disse o capixaba, que é estrela de um documentário sobre a sua história de vida, ligada sempre ao surfe, desde o Espírito Santo. O capixaba também já foi estrela do Agora ou Nunca, do Caldeirão do Huck, na Rede Globo.
Fonte: Gazeta Esportes