As consequências são os serviços que não atendem aos anseios da sociedade, como a segurança, o transporte coletivo, a educação e a saúde, suficientes para as manifestações que estão acontecendo no país. Creio que o copo transbordou e levou o povo às ruas para demonstrar sua insatisfação. Um movimento próprio das democracias de fato.
Liderança e moderação são o que esperamos de nossos dirigentes, ao mesmo tempo em que sejam firmes e determinados com o respeito às leis e à Constituição, para que a democracia seja exercida em sua plenitude.
Na proposta de quebra de contratos em análise na Assembleia Legislativa, embora seja uma reivindicação justa e necessária, o risco embutido é imenso e suas consequências, a médio e longo prazo, precisam ser objeto de reflexão.
Não se trata apenas de se pagar uma indenização enorme e devida, que reduzirá a capacidade de investimento do Espírito Santo, mas de um possível sepultamento, por alguns anos, de inúmeras outras parcerias entre o setor público e o privado, que poderiam alavancar a infraestrutura do Estado. Sabemos que precisamos melhorar nossas rodovias, já sucateadas e perigosas, e pensar em novos hospitais, postos de saúde, escolas e portos, que só poderão ser feitos por meio dessas parcerias, pois os governos não têm arrecadação suficiente para tudo.
Quem vai investir em nosso Estado, se a quebra de um contrato for decidida sem uma análise profunda de sua proposição, ainda que existam desconfianças sobre os seus termos? Temos de atender às reivindicações justas, com seriedade e análise.
É preciso uma auditoria externa com o acompanhamento do Tribunal de Contas, do Ministério Público e dos próprios deputados antes de se tomar uma decisão grave como esta. E se houver erros e irregularidades no contrato, que se apliquem leis e se recalculem os preços a serem pagos, de forma transparente e aberta ao povo. Nosso povo sabe que o Estado tem limites de gastos e compreende, com certeza, o valor dos contratos em sua vida, pois somos trabalhadores e gostamos que respeitem nossos contratos de trabalho e nossas contas a receber.
Esperamos que, mesmo diante das pressões e das dificuldades, nossos líderes ajam com a mente de estadistas e com moderação, levando em conta os justos pedidos de nosso povo sem, no entanto, comprometer o futuro de todos.
Carlos Aguiar, presidente do Conselho Deliberativo do Espírito Santo em Ação
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